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  • Às vezes penso o quanto nós, pessoas com deficiência, somos isentos de seguir toda e qualquer "obrigação" com a sociedade. O que quero dizer com isso é: se não trabalhamos, saímos, namoramos, casamos ou dirigimos ninguém vai achar nada demais. Talvez esse seja o "normal" para pessoas com deficiência. É como se a imagem padrão das pessoas em relação aos deficientes fosse a de que eles passam o dia em casa vendo TV e tomando sopa. De vez em quando dão uma saidinha, tipo uma ida na pracinha pra tomar um ar e ver a paisagem.Mas se algum deficiente resolve "ousar" e sair de casa, trabalhar, estudar e se divertir, vira algo do outro mundo e um exemplo de superação! Talvez venha daí a idéia e imagem de que somos exemplos de superação e heroísmo. Ou o contrário. Não sei. Mas a impressão que tenho é que nada nos é exigido e tudo é perdoável. Se eu quiser ficar em casa coçando, tudo bem, afinal: "Coitadinho, ele é deficiente".

As pessoas ainda não entendem que a falta de desejo não é inerente à deficiência. Se alguém resolver que não quer fazer nada da vida, isso não tem nada a ver com ter ou não uma deficiência, mas sim com a falta de desejo. Ponto. Já vi muita gente "normal" levar uma vida extremamente vazia. E aí? Não, a deficiência não define a pessoa, o que a define são seus desejos.
É claro que ser deficiente num mundo pouco inclusivo e acessível é difícil, e às vezes enche o saco mesmo, mas não vou deixar de buscar o que me faz bem e feliz. Quero ser "cobrado" como todos. Não quero moleza. Como parte do meio em que vivo, quero contribuir e ser parte e não ficar "à parte". Quero exigir e ser exigido.

4 comentários:

  1. ótimo texto! Parabéns...

  1. Sempre arrasando
    Por isso que eu te amo irmão

  1. Obrigado, meu irmão!!!

  1. Parabens! Na verdade, a verdadeira inclusão está em nós mesmo...

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