- Às vezes penso o quanto nós,
pessoas com deficiência, somos isentos de seguir toda e qualquer
"obrigação" com a sociedade. O que quero dizer com isso é: se
não trabalhamos, saímos, namoramos, casamos ou dirigimos ninguém vai achar
nada demais. Talvez esse seja o "normal" para pessoas com
deficiência. É como se a imagem padrão das pessoas em relação aos
deficientes fosse a de que eles passam o dia em casa vendo TV e tomando
sopa. De vez em quando dão uma saidinha, tipo uma ida na pracinha pra
tomar um ar e ver a paisagem.Mas se algum deficiente resolve
"ousar" e sair de casa, trabalhar, estudar e se divertir, vira
algo do outro mundo e um exemplo de superação! Talvez venha daí a idéia e
imagem de que somos exemplos de superação e heroísmo. Ou o contrário. Não
sei. Mas a impressão que tenho é que nada nos é exigido e tudo é
perdoável. Se eu quiser ficar em casa coçando, tudo bem, afinal:
"Coitadinho, ele é deficiente".
É claro que ser deficiente num mundo pouco inclusivo e acessível é difícil, e às vezes enche o saco mesmo, mas não vou deixar de buscar o que me faz bem e feliz. Quero ser "cobrado" como todos. Não quero moleza. Como parte do meio em que vivo, quero contribuir e ser parte e não ficar "à parte". Quero exigir e ser exigido.








3 de janeiro de 2013 às 08:09
ótimo texto! Parabéns...